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Quem assiste ao trailer de UP provavelmente irá ao cinema esperando menos do filme do que ele realmente traz. Pelo menos, foi assim que me senti, após assistir seus 15 primeiros minutos belíssimos.

O filme conta a história de Carl Fredricksen que quando menino vai ao cinema ver notícias sobre seu explorador preferido, Charles Muntz. O relato retratava o insucesso  do explorador  que após não conseguir provar a existência de um pássaro raro caiu em descrédito em toda a sua comunidade.

Apesar disso, o menino Carl continua a sonhar com seu balão e em um dia de aventuras conhece uma menina, Ellie, que assim como ele, sonha em viver muitas aventuras voando até um paraíso distante relatado por Muntz.

Os anos se passam e o filme sem diálogos, em poucos minutos, com uma trilha sonora linda, retrata a história de amor de Carl e Ellie: a sintonia, o casamento, as dificuldades financeiras que os impossibilitavam de realizar seus sonhos e principalmente o implacável tempo que simplesmente se esvai.

Com a morte de Ellie, desmotivado, solitário e rabugento, Carl se vê obrigado a mudar-se para um asilo após ter problemas com uma construtora que deseja demolir sua casa.

Neste momento, ele inicia uma grande aventura para realizar seu sonho com Ellie, prende milhares de balões coloridos à chaminé de sua lareira e levanta vôo.

No meio do percurso descobre que tem companhia, o pequeno Russel, um garotinho que precisa ajudar um idoso para ganhar um distintivo de Explorador da Vida Selvagem.

A partir daí essa dupla segue em sua aventura a caminho da América do Sul onde encontrarão muitas surpresas. Sinceramente, achei que nesta parte o filme perde-se um pouco tentando resgatar o apelo ao público infantil e a sistemática Disney de vilão e mocinho. De qualquer forma, vale muita a pena assisti-lo!

Assisti UP no dia em que saí de férias e a animação realmente me emocionou. O filme que tem um colorido e desenhos lindos traz pouca história para crianças e muita reflexão para os adultos.  Fala sobre os sonhos que deixamos para amanhã, a força que mora dentro de cada um de nós e principalmente sobre as chances que temos todos os dias de ter um novo recomeço.

Trailer oficial do filme

O site bacaninha do filme http://www.disney.com.br/cinema/up/

Beijos aos queridos, assistam e me contem.

PS: Obrigada Lindo, por agüentar a chorona aqui no cinema. ;)

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Nos dias de chuva em que a luz acabava ou ela mesma apagava, lá íamos nós para a cama escutar histórias.

Para ela, a chuva não gostava de conversa. Televisões e janelas chamavam trovões e decidir tomar banho nem pensar, era preciso ficar quieto.

Seu quarto tinha móveis fortes de madeira escura, na penteadeira perfumes e santinhos lindos em miniatura, o guarda-roupa era o lugar perfeito para encontrar as roupas dos meus personagens das peças semanais que eu apresentava no prédio.

Na parede, a padroeira Santa Rita fazia vigília a nossa bagunça e as suas histórias do Bicho Papão e Boi da Cara Preta era interrompidas pelo relampear, e quando medo chegava lá estava ela com o sorriso e os braços abertos para que dormíssemos.

Em tardes como essa, ainda espero que ela apareça e me chame para tomar chá para esquentar, comer bolacha e bolo com cobertura de limão.

Quando penso em férias, lembro das expedições malucas que fazíamos em seu quintal gigante, no meio das bananeiras, do galinheiro, desafiando os formigueiros.

Ela sempre atenta nos alertava, mas deixava, ela sabia que era coisa de criança. Naquele quintal decidi que ia ser veterinária, descobri as lesmas casca de banana, levei o colégio inteiro para conhecê-las e quase fui expulsa quando resolvi que a professora de ciências deveria vê-las de perto.

Um dia participei do parto da Pakita, uma das cadelinhas, quase fui mordida, sai toda suja e depois de levar uma bronca danada e passar mal literalmente, ela disse que não contaria a minha mãe se eu não fizesse de novo.

Ela era batalhadora, paciência, compreensão risada tímida, seriedade, fé sem tamanho, inocência, muitas histórias, cabelo que não podia bagunçar, porre de biotônico, bolinho de chuva, força para defender seus pequenos, fumar escondido, macarrão com frango no domingo, correr atrás do homem do sonho, ver Roberto Carlos escondido, subir a ladeira para comprar sorvete, corpo de violão, a mulher do açogueiro, a avó da menina loirinha, banho de mangueira, piscina de 1.000 litros para o verão dos netos, ensinar a lição de casa, abraço, telefonema no final do dia e todo o amor que houve nessa vida.

Só um livro contaria todas as nossas histórias, não é mesmo?

Todas as vezes que as pessoas brincam com a minha personalidade forte, meus momentos de timidez, minha indignação com injustiças e o jeito maluco que tenho para resolver as coisas sempre conto sobre você.

Como eu não posso abraçá-la, mas tenho certeza de que a senhora sempre olha por mim, está é a minha singela homenagem. Vó Feliz Aniversário! Eu amo você! Você sempre será a força que vive em mim e me faz sempre acreditar!

Pato Fu: Canção pra você viver mais

Beijos aos queridos!

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Há muito tempo tenho ouvido falar do livro que dá título a esse post e lido alguns trechos e resenhas dele por aí. Finalmente comprei o meu exemplar para ler com calma e resolvi bater um papo com vocês sobre o primeiro capitulo.

Mulheres que correm com os Lobos, da psicóloga Clarissa Pinkólas Ester, fala sobre a compreensão da natureza da mulher selvagem(essência da alma feminina) através da interpretação de lendas e histórias antigas e a semelhança de suas características com a de uma loba. A obra dialoga sobre os conflitos da “Mulher Moderna” e como atingir a verdadeira libertação.

A primeira lenda apresentada é a La Loba, a Mulher Lobo que fala sobre uma senhora que vive em um lugar oculto de que todos sabem, mas que poucos já viram. Como nos contos de fadas, ela parece esperar que cheguem até ali pessoas que se perderam e que estão vagando a procura de algo.

Ela tem uma aparência estranha, parece evitar pessoas e emite mais sons animais do que humanos. Segundo a lenda, o único trabalho dela é recolher ossos de todas as criaturas e conservá-los, sobretudo, o que corre o risco de se perder para o mundo, mas a sua especialidade são os lobos.

Ela se arrasta pelos vales e quando consegue reunir um esqueleto completo, faz uma fogueira e canta uma canção. Com o seu canto o lobo volta a viver com força e vitalidade, e livre a criatura corre por um desfiladeiro até tornar-se uma linda mulher.

Resumi o conto de forma simplista, mas acredito que consegui transmitir o que ele nos fará refletir e a sua mensagem serve para homens e mulheres.

Em algumas situaçoes da vida, demonstramos uma angustia tao grande e nem sabemos ao certo o porque, sentimos a perda do referencial, de nossos valores, questionamos quem somos perante as pessoas e a vida. Como escorpiana inquieta e visceral, muitas vezes me senti com a alma cansada, sem identificacao da minha real essencia e indaguei meu papel no mundo.

No livro, a longa reflexão sobre o conto de La Loba traz uma auto analise que eu hoje vejo como essencial: Onde estão os seus ossos?

Todos nos começamos como ossos perdidos no deserto e é nossa responsabilidade recuperar suas partes, esse é um processo que exige dedicação, atenção e cuidado.

La Loba indica o que devemos procurar- a indestrutivel forca da vida, seu conto de ressurreição  nos mostra o que pode dar certo para a alma. Ele revela que se cantarmos a canção, poderemos conclamar nossos restos psiquicos e voltar a nossa forma vital. Cantar significa usar a voz da alma, sussurrar a verdade da necessidade de cada um, soprar alma sobre aquilo que esta doente.

Isso se realiza no mergulho mais profundo em nosso amor próprio, no resgate pelo que gostamos de fazer, no cultivo das amizades que nos fazem felizes, na nossa fé, exercicio da criatividade,  na busca pelos anseios que enxergamos com o canto dos olhos. Mas não na procura pela realização atraves do outro,  o real encontro  é solitário.

Ouvindo Priscilla Ahn – Dream

PS. Eu espero que para vocês esse conto seja também alimento para a alma, volto em breve com as minhas histórias ….Beijos aos queridos..Desculpem os problemas de acentuação, continuo brigando com meu teclado…Este texto tem trechos adaptados do livro.

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Ela jogou as toalhas, decidiu que o amor não era para os inquietos e inconformados.
Se ela falasse sobre o desejo, a longa espera por aquele beijo talvez dissesse que o amor de seu peito só transbordava em lágrimas vivendo o que já passou.
Quando o último foi embora ela deixou de acreditar em encontros e decidiu viver de despedidas.
Gostava de olhares trocados, dos elogios que a faziam se sentir mais bonita, de beijos no escuro, mas nunca chegava à cama.
Era a conta exata dos precavidos, sem coração disparado, pernas bambas ou grandes histórias para contar.
Nesses dias em que poucos ainda sorriem e olham nos olhos, decidiu gostar de quem gostasse dela.
Seria encontro de algum velho conhecido, vida calma sem expectativas, o plano original sem a parte romântica: encontrar um Grande Amor e Ser Feliz Para Sempre.
Não conhecia mais novos lugares, circulava sempre pelas mesmas ruas e bares com ares de quem nada pode esperar.
Era beleza sem graça, rosto de prateleira, a roupa parecida com a de tantas outras que decidiram o que vestir depois de comprar aquela revista.
Descabida, criou uma surrada cartilha do que fazer e o que não. Se dois rapazes a conhecessem no mesmo dia, perceberiam a repetição de seus trejeitos de atriz equilibrista do mundo de desencontros.
Personagem principal das histórias mal contadas para todos que se aproximavam do brilho dos seus olhos.

Continua….

Lenine: Hoje eu quero sair só

Foto incrível Flickr Iaton http://www.flickr.com/photos/ianton/2929577110

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Jennifer Aniston, Drew Barrymore, Ben Affleck, Scarlett Johansson, Jennifer Connelly, Justin Long, Kevin Connolly, Bradley Cooper me levaram ao cinema para assistir ” Ele não está tão afim de vocë”. Comprei o meu ingresso com tranquilidade, afinal com um elenco desses o filme não poderia ser ruim. Mas confesso que entrei na sala esperando fórmulas prontas, respostas óbvias e uma bela comediazinha romäntica.
Me deparei com diversos personagens, nenhum astro em destaque, muitas histórias paralelas e principalmente um clima de “a vida como ela é”com maquiagem hollywodiana e uma bela dose de bom humor.
 
Superando as minhas expectativas, “Ele não está tão afim de você” fala de relacionamentos de uma forma madura, lúcida e divertida. Problemas cotidianos das relações humanas, em uma visão interessante sobre relacionamentos entre homens e mulheres “reais”,convivendo com medos, confusões e principalmente com o que é socialmente esperado deles.
O filme me lembrou as diversas conversas que tive por horas com amigas em situações muito semelhantes. Sai do cinema, com uma lição que eu já conhecia, mas que não custa repetir como MANTRA:  ele não ligou, não foi, esqueceu o aniversário, trocou por outra, está confuso, não é bom o suficiente e blá blá blá, o único significado é Ele não está afim!
E a receita infalível ou fórmula mágica que garante que duas pessoas fiquem juntas, é o AMOR COMPARTILHADO, que só acontece quando temos amor próprio suficiente para doar ao outro.
“Ele não está tão afim de você” é um filme que para indicar para as amigas e rir com os amigos, é também para aqueles que acreditam que AMOR só existe com sintonia e reciprocidade.
 

Música: Last Goodbye – voz linda da Scarlett Johansson.

PS>: Beijos aos queridos, e todo AMOR CORRESPONDIDO desse MUNDO!

 

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Tenho trabalhado tanto, mas sempre penso em vc. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assenta e com mais força quando a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos…
Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você. Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?
Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.
Mas se você tivesse ficado, teria sido diferente?
Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente?
Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.

Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina.

Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo.
Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis.
. . . E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura.

Ouvindo: Ray LaMontagne – Write You A Letter

Beijos ao queridos…E agradecimento e licença poética ao Caio Fernando de Abreu que traduziu o sentimento em palavras…

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Era Roberto, suas pernas longas pesadas, cabelos macios, o seu homem das segundas-feiras. Longos beijos e mãos que brincavam pelo corpo no primeiro dia da semana na saída do trabalho.
Roberto garantia o sorriso, a piada fácil. Depois do horário combinado era sempre celular desligado, desculpa esfarrapada.
De tanto Roberto contar histórias, Joana se convenceu de que não ia mais ouvi-las, apenas o queria nas segundas-feiras, nos sorrisos maliciosos e olhares trocados no escritório.

 Cabelo castanho claro todo alinhado, roupas de grife, Rafael o eterno atual ex-namorado. Gostava da família, simpático com as crianças e animais, levava aos restaurantes, era cama morna de vez quando, nome do filho escolhido.  
Era terça, quarta-feira, sábados na madrugada solitária em que ninguém atendia Joana, às vezes domingo, era rotina.

Tatuagem no braço, alargador na orelha, cabelo escuro e pele branca, DJ, era Ricardo. Joana insegura, qualquer dia da semana. Conversa pensada até a mordida nos lábios, o GOSTOSA no ouvido, o puxão no cabelo, as roupas no banco de trás e vidros embassados na rua. Ricardo era não saber de amanhã, não ligar nunca, hoje como se fosse o último dia.

Gustavo franzino, artista, pintor, era cor de uma palheta fria que combina com dia de outono. Mas era bom gosto, companhia agradável, muitas semelhanças, longas conversas ao telefone todos os dias, risada inteligente e nenhum beijo. Gustavo, era sábado no circuito alternativo de cinema, quinta no bistrot, sexta no boteco. Joana às vezes achava que Gustavo era gay e não sabia, ele há muito tempo insistia.

Cabelos cor de sol, olhos de mar, incenso, era Pedro. Pulo de pára-quedas, trilha na mata, aventura, skate, prancha no carro, pé na areia, liberdade.  Noite juntos e acordar abraçados,  quinta e sexta, em tempo nublado sábado e domingo quando ele ligava. Pedro e Joana o compromisso descompromissado, telefone que atende quando quer, escolha predileta, coração disparado, e a distância até onde vai a saudade para não machucar.

Joana era gostar do Roberto, Rafael, Ricardo, Gustavo e Pedro. Para ela, tão diferentes, únicos e complementares. Joana era não ter nenhum deles ou ter todos e precisar de todos em um, nenhum. Nenhum sonho. Joana para eles a apaixonada, para as outras máscara, invejada, solteira, libertária daquelas que não casam.

Joana, ela mesma,  era solidão acompanhada.

 

Mulher sem Razão – Adriana Calcanhoto

PS.:  Queridos desculpem a ausência, em breve terei um monte de novidades aqui e prometo estar mais presente! Este post é uma obra de ficção!  bjos

Ela nunca sabe como ele chega, só percebe quando se vai.
Ele continua.
Ela se equilibra e tenta arrumar a bagunça que a partida dele deixou.
Toda vez que aparece, ele parece já fazer parte de tudo.
Conhece cada sorriso, estímulo e as coisas certas para falar.
Ela é conforto e moradia em seus breves abraços.
Bocas que encaixam há muito tempo em sintonia.
Mãos que percorrem os corpos, o gosto conhecido.
Suor dele, saudade dela.

Coração descompassado que sempre trazia a certeza.
Velhos conhecidos que nunca diziam Adeus.

Novos amores brincavam de permanecer e iam embora.
Eles sabiam.
A roda gigante da vida girava e parava sempre no mesmo lugar .
Um novo dia eram eles de novo.
Corpos perdidos na madrugada sem dia seguinte.
Ele constatava o fato, resignado.
Ela encruzilhada, de tanta falta, aprendeu a viver sozinha em novos caminhos.
Com ele ainda deitado, ela e foi embora, disse Adeus.

Ouvindo: Ainda Gosto Dela – Skank, fazia tempo que eles não faziam uma balada boa dessas!

PS.: Puxa, que saudade! Depois de tanto textos iniciados e inacabados finalmente consegui terminar esse aqui! Prometoaparecer mais e visitar todo mundo que eu adoro e também atualizar  os blogs que eu leio! Obrigada pelo carinho sempre! muitos beijos

 

Ele fazia perguntas que ninguém entendia, seus cabelos claros desgrenhados combinavam com a sua inquietude.
No curso de cinema era aquele que deixava todos pensativos. Gostava do plano das idéias e polemizar com as improbabilidades, adorava fechar os olhos e  trancado no quarto tocar sua guitarra.
Enquanto a maioria torcia o nariz para ele, ela achava graça. Pequenina, cabelos escuros cacheados, olhos amendoados, falava baixo e ria engraçado. Seu pai dizia que lembrava um esquilo como mostrava os dentes e o barulho estranho que emitia.
Gostava de livros de ficção cientifica, mas não contava para ninguém.
Aos poucos começaram a sentar mais perto, mas nunca se falavam. Os risos trocados no ar ficaram comuns e não ruborizavam mais as faces. Ela saia todo dia mais bonita para que ele a notasse. Ele a percebeu um dia, rindo quietinha como se viesse de outro mundo.
Quase querer, em uma quarta-feira cinzenta, ele foi para o ponto e ela correu atrás, pegaram o mesmo ônibus.
Ele sentou-se rápido e abriu um livro. Ela apressou os passos, sentou ao lado e logo puxou papo.
Conversaram sobre as muitas coisas do mundo, desceram no ponto dele. Foram direto para o quarto que ele dividia com um amigo.
As roupas ficaram no caminho, percorrido pelas risadas e os beijos descompassados.  A menina tímida era mulher entregue ao homem menino.
Quase estranhos viraram velhos conhecidos brincando de “descobrir” durante toda à tarde. Ela nunca mais esqueceu o gosto de saliva que tomou conta do seu corpo, ele ficou com o cheiro de baunilha no travesseiro, em todo lugar.

Foi assim que se conheceram…

Ouvindo: Crash Into Me- Dave Matthews Band , música  maravilhosa para todos aqueles que como eu mergulham de cabeça nos sentimentos!

 

PS.: Queridos! Adorei os comentários sobre o filme, fiquei super feliz em saber que ele também deixou vocês meio “chocados”! O melhor desse espaço é esse encontro voluntário  de pessoas sensíveis, queridas e inteligentes! Obrigada pelo carinho! bjos

Demorei bastante para conseguir assistir esse filme, já que quando ouvi falar dele há tempos atrás, sempre o associava uma pessoa que foi um divisor de águas na minha vida.
Um rapaz, que assim como eu, ama a natureza, a liberdade, a rouquidão incrível e as letras vibrantes sentimentais do Eddie Veder, autor de toda a trilha sonora do filme.
O filme é uma lição de vida daquelas que te deixa pensativo e ajuda a reavaliar as escolhas cotidianas. Into The Wild conta a história real de um jovem que larga tudo em busca da liberdade, natureza e autoconhecimento viajando durante 2 anos pela costa norte-americana rumo ao Alasca.
Para mim, Into The Wild não é apenas mais um filme que grita liberdade, é um retrato da minha ilusão adolescente de que a fuga era a única solução para os problemas, e principalmente a víscera necessária à mínima compreensão da grandiosidade da natureza perante a nossa mera existência. Mas não vou limitar o filme assim, paro as minhas impressões por aqui, e deixo o convite para que vocês assistam sozinhos ou acompanhados, imersos em suas próprias fugas, sonhos e ilusões assim como eu fiz! Depois me contem o que acharam e sentiram.
Para ele, depois do filme resolvi mandar um sinal de fumaça, e tenho certeza de que vai adorar o filme e da trilha sonora!

 

PS.: Apesar de gostar muitíssimo de escrever, sinto falta nesse blog de um espaço de discussão de outras coisas que movem meus dias.
A partir de hoje, passarei a intercalar meus textos com todas as coisas que transformam a minha forma de pensar o mundo e fazem meus olhos brilharem. Assim, além de trocar informações com vocês, conseguirei atualizar o blog com mais freqüência. Espero que gostem!

Beijos aos queridos! Liberdade e natureza para todo e sempre!

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