Ela o conheceu por acaso, procurando por palavras que completassem sua incomplitude.
Quando leu pela primeira vez as dele, bem escolhidas, semeadas verdades, conjunções, preposições e verbos, de imediato criou fascínio.
O menino de pouco mais de 18 anos era maestro na intensidade, trejeitos, combinações perfeitas e subjetivos significados de poesia e prosa que compunha.
Muitas conversas depois, elogios rasgados, confidências trocadas, telefonemas demorados, floresceu entre eles um sentimento de admiração estranho, daqueles criados apenas pelos que se apaixonam na mágica sintonia fina das palavras.
Só se viram pessoalmente uma vez, em um encontro desencontrado e embriagado.
Frente a frente ela compreendeu com os olhos e coração, que a paixão que existia era das palavras e não do corpo . Ele, ela não sabe.

 Falaram-se mais algumas e poucas vezes e perderam-se de vista. Jovens pareciam entorpecidos pela ilusão de tempo que parecia dar a oportunidade de despejar mais alma em outro momento. Calaram-se nas coincidências e semelhanças assim como se encontraram.
Nestes dias, em que palavras tem sido o alimento da alma, ela quase ao acaso lembrou dele e resolveu procurá-lo. Descobriu que era tarde para dizer.
Ebulição de sentimentos desencontrados, arrependimento das atitudes irremediáveis, tapa na cara do tempo implacável. A ela restou a compreensão que lhe cabia, as lembranças, o aprendizado para a vida, a saudade do que não foi vivido e as perguntas que apenas o mistério da vida poderiam responder. 

Para vocês meus amigos das palavras, deixo as palavras dele :

sei que amor não ensina
marca profundo
por debaixo da carne
e ninguém imagina
se arranca lágrimas
não as deixa voltar
se mata por dentro
é para a vida plantar
se torna os dias azedos
os doces, deves aproveitar
se o mergulho é simples
interessa o nadar
se lembrar foi fácil
teimou em marcar
se esquecer é preciso
faça-se lembrar
se o resto é castigo
deixa ficar
quando o tudo tocar o nada
e o mundo perder o sentido
foi porque o sentido do mundo
deixou de ser o amar. (B.B- Fevereiro de 2005).

PS.:
Luz!

Minha singela homenagem, desculpas, eterna vida lembrança e agradecimento a estrela cadente, ao amigo, exímio redator.