Era Roberto, suas pernas longas pesadas, cabelos macios, o seu homem das segundas-feiras. Longos beijos e mãos que brincavam pelo corpo no primeiro dia da semana na saída do trabalho.
Roberto garantia o sorriso, a piada fácil. Depois do horário combinado era sempre celular desligado, desculpa esfarrapada.
De tanto Roberto contar histórias, Joana se convenceu de que não ia mais ouvi-las, apenas o queria nas segundas-feiras, nos sorrisos maliciosos e olhares trocados no escritório.
Cabelo castanho claro todo alinhado, roupas de grife, Rafael o eterno atual ex-namorado. Gostava da família, simpático com as crianças e animais, levava aos restaurantes, era cama morna de vez quando, nome do filho escolhido.
Era terça, quarta-feira, sábados na madrugada solitária em que ninguém atendia Joana, às vezes domingo, era rotina.
Tatuagem no braço, alargador na orelha, cabelo escuro e pele branca, DJ, era Ricardo. Joana insegura, qualquer dia da semana. Conversa pensada até a mordida nos lábios, o GOSTOSA no ouvido, o puxão no cabelo, as roupas no banco de trás e vidros embassados na rua. Ricardo era não saber de amanhã, não ligar nunca, hoje como se fosse o último dia.
Gustavo franzino, artista, pintor, era cor de uma palheta fria que combina com dia de outono. Mas era bom gosto, companhia agradável, muitas semelhanças, longas conversas ao telefone todos os dias, risada inteligente e nenhum beijo. Gustavo, era sábado no circuito alternativo de cinema, quinta no bistrot, sexta no boteco. Joana às vezes achava que Gustavo era gay e não sabia, ele há muito tempo insistia.
Cabelos cor de sol, olhos de mar, incenso, era Pedro. Pulo de pára-quedas, trilha na mata, aventura, skate, prancha no carro, pé na areia, liberdade. Noite juntos e acordar abraçados, quinta e sexta, em tempo nublado sábado e domingo quando ele ligava. Pedro e Joana o compromisso descompromissado, telefone que atende quando quer, escolha predileta, coração disparado, e a distância até onde vai a saudade para não machucar.
Joana era gostar do Roberto, Rafael, Ricardo, Gustavo e Pedro. Para ela, tão diferentes, únicos e complementares. Joana era não ter nenhum deles ou ter todos e precisar de todos em um, nenhum. Nenhum sonho. Joana para eles a apaixonada, para as outras máscara, invejada, solteira, libertária daquelas que não casam.
Joana, ela mesma, era solidão acompanhada.
Mulher sem Razão – Adriana Calcanhoto
PS.: Queridos desculpem a ausência, em breve terei um monte de novidades aqui e prometo estar mais presente! Este post é uma obra de ficção! bjos


16 comments
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Novembro 14, 2008 às 9:43 pm
Daniel
Eu simplesmente adoro todo esse disco da Adriana! Ela vai dar shows aqui em BH neste final de semana.
Esse post me fez querer ouvir ‘Joana Francesa’
- “Já é madrugada… acorda, acorda, acorda…”
Novembro 17, 2008 às 7:11 pm
Ricardo Lemke
Eu particularmente não gosto da Adriana Calcanhoto (nada contra também) mas do seu texto eu gostei bastante…Além de escrever muito bem, vi um pouco do meu universo masculino nas entrelinhas…..
Bjão querida, Parabéns!
Novembro 18, 2008 às 11:00 pm
azrael
nao tenho palavras…
que texto FODA \o/
Novembro 21, 2008 às 12:13 am
Anna Clara
Este post é uma obra de ficção!
eu ri aqui.
Novembro 21, 2008 às 11:12 am
Srta. Bia
Joana procura em todos a razão para se sentir amada e viva. Joana na verdade talvez deseje apenas ser, ser ela mesma e não precisar de ninguém.
Novembro 24, 2008 às 2:00 pm
Nada a Declarar
Gostei do seu texto. Maneira de escrever inteligente.
Texto com uma visão única d’uma mulher diversificada, hehe. Encontrei seu endereço em Blogueiro Repórter e, curioso que sou, vim visitá-la.
Abração do ‘Nada a Declarar’
Novembro 25, 2008 às 1:57 am
Elcio
Li e gostei….tanto q li mt rapido…agora preciso retornar ao texto e degusta-lo.
É isso aí.
Bjs e boa semana.
Novembro 25, 2008 às 3:21 am
carlam.
nunca tentei fazer como Joana… acho que sempre estou esperando ser surpreendida pelo próximo e deixo pra trás tudo que dá dos anteriores.
Novembro 30, 2008 às 5:48 pm
Girassol
Adorei esse post! Nossa li e reli alguns pra ter certeza que não era o mesmo rs
Esse Rafael me deixou intrigada… semelhanças e mera coincidência será?rs
Estou numa fase Joana total! rs e a delícia é Joana trancender Joana.
bjs!
Novembro 30, 2008 às 11:19 pm
pedro favaro
Muito bacana…
Somos todos amantes da vida.
De várias vidas….
Dezembro 4, 2008 às 9:02 pm
Elcio
Ao ler tantos sonhos, recordei uma musica de O. Montenegro, Tavessuras.
“[ ]Me disseram que sonhar
Era ingênuo, e daí?
Nossa geração não quer sonhar
Pois que sonhe a que há de vir[ ]”
É isso aí.
Bjs
Dezembro 8, 2008 às 3:50 pm
Sil
Simplesmente perfeito!
Amei!
Todas nós queremos a vida de Joana!
^^
Dezembro 11, 2008 às 7:07 pm
Pedro
Nem todo mundo consegue fazer como Joana.
Dezembro 26, 2008 às 1:51 pm
Robs
Olá Deborah.
Sempre estou por aqui, nem sempre comento. Adoro seu blog, por isso tem um presente pafra vc lá no meu blog. Passa lá para pegá-lo!
Feliz 2009.
Janeiro 14, 2009 às 3:36 am
Carol Rodrigues
Será que conseguimos ser Joanas? Mas até que ponto é vantagem/desvantagem ser uma Joana?
Enfim…
Maio 28, 2009 às 2:59 am
melke
Adorei o Seu texto. Leve, mas com uma significância incrível! Parabéns. Voltarei mais vezes!