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Ela jogou as toalhas, decidiu que o amor não era para os inquietos e inconformados.
Se ela falasse sobre o desejo, a longa espera por aquele beijo talvez dissesse que o amor de seu peito só transbordava em lágrimas vivendo o que já passou.
Quando o último foi embora ela deixou de acreditar em encontros e decidiu viver de despedidas.
Gostava de olhares trocados, dos elogios que a faziam se sentir mais bonita, de beijos no escuro, mas nunca chegava à cama.
Era a conta exata dos precavidos, sem coração disparado, pernas bambas ou grandes histórias para contar.
Nesses dias em que poucos ainda sorriem e olham nos olhos, decidiu gostar de quem gostasse dela.
Seria encontro de algum velho conhecido, vida calma sem expectativas, o plano original sem a parte romântica: encontrar um Grande Amor e Ser Feliz Para Sempre.
Não conhecia mais novos lugares, circulava sempre pelas mesmas ruas e bares com ares de quem nada pode esperar.
Era beleza sem graça, rosto de prateleira, a roupa parecida com a de tantas outras que decidiram o que vestir depois de comprar aquela revista.
Descabida, criou uma surrada cartilha do que fazer e o que não. Se dois rapazes a conhecessem no mesmo dia, perceberiam a repetição de seus trejeitos de atriz equilibrista do mundo de desencontros.
Personagem principal das histórias mal contadas para todos que se aproximavam do brilho dos seus olhos.

Continua….

Lenine: Hoje eu quero sair só

Foto incrível Flickr Iaton http://www.flickr.com/photos/ianton/2929577110