Amora…

7 dez

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Chovia miúdo, apressou os passos , colocou a mochila nas costas e saiu pela porta da frente. Andou até a rodoviária, perguntou qual era o destino mais distante e foi para “Lagoa Azul”.

Cidade pequena, não tinha quase asfalto. Viu um coreto, casas simplórias, um boteco na esquina, uma escola, comércios pequeninos e uma capela.

Entrou, ajoelhou-se na madeira surrada do banco e fez uma prece, com os olhos mareados de lágrimas e a alma cheia de esperança.

Perguntou a um homem que passava onde ficava a tal Lagoa Azul. Ele respondeu que há muito tempo a lagoa não existia mais,e que no lugar dela hoje havia apenas um córrego sujo.

Pensou em tudo que existia e não existe mais, no amor, nas pessoas ….Quase  pegou o primeiro ônibus de volta para casa, mas havia saído a procura de uma resposta e precisava encontrá-la … 

O sol começou a abrir aos poucos e ela sentou-se em baixo de uma árvore na praça. Pegou na mochila um caderno, arrancou uma folha e escreveu:

– Faço Retratos! 

Não demorou muito para despertar a curiosidade na pequena cidade. Era meio dia e os alunos que saiam da escola se aproximaram curiosos da desconhecida e seu caderno.

– Moça quanto custa? 

– O retrato?

– É !

– Nada, pode ficar paradinha ai que eu te desenho!

A menina falante ficou quieta, enquanto os outros olhavam. Ela começou a desenhar seus  contornos, olhos amendoados e os cabelos cheios de tranças.

– Moça, você sabia que se parece com a minha mãe?

– É mesmo? E ela é bonita?

– É sim, mas nunca a conheci. Ela foi embora quando nasci, mas ela vai voltar, ela gosta muito de mim.

– Vai sim, tenho certeza de que ela te ama muito.

Terminou o desenho e entregou a menina.

-Obrigada, não sou tão bonita assim.Vou colocar no meu quarto, para lembrar de você.

-Você é linda!

 Se olharam com cumplicidade,  a menina sorriu e se foi. Ela desenhou mais algumas crianças, uma senhora que passava e tudo o que viu ao redor.

A tarde caia, levantou-se, guardou o caderno. Respirou fundo, não tirava do pensamento os olhos e as palavras da menina.

Deparou-se com uma árvore de amoras. Pegou a fruta pequena, roxa e doce, saboreou devagar.

Sentiu uma alegria serena, passou a mão na barriga e compreendeu:

Agora não estava mais sozinha, não tinha o que temer, ou porque fugir, para sempre teria um Amor Incondicional…

Entrou no ônibus de volta e decidiu que ela se chamaria: Amora, como lembrança dos olhos da menina de Lagoa Azul….

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3 Respostas to “Amora…”

  1. mirabelle dezembro 8, 2007 às 6:27 pm #

    quando li,
    pensei:
    “ela devia ser a mae da menina”
    rs

    muito bom teu blog

    =**

  2. Arnaldo dezembro 9, 2007 às 2:49 pm #

    Lindo esse post. Muito bem escrito. Parabéns pelo blog…

  3. carol dezembro 11, 2007 às 4:16 pm #

    sua presença deixa gosto de amoras…

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