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Conversas francas…..

10 fev

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Ontem conversamos sobre a falta que faz o toque, o beijo e os olhos.

É tão estranho pedir atenção para quem parece estar tão perto .

A rotina corre os dias e os dias que escorrem as vezes levam a atenção que devíamos ter.

Perdemos os momentos vivendo o que acontece nas telas dos celulares, na televisão, na conversa com o vizinho, na bobagem do trabalho e nos esquecemos…

De fazer presença e estar presente na mesa do jantar, ao lado na cama, no beijos  e nos pequenos instantes

Apesar da dolorida franqueza sinto que saímos mais inteiros daquela conversa.

Mais dispostos a ficar…a pertencer, permanecer… a se olhar…

Sobre recomeçar…

26 jan

Ela nunca teve medo de mudar, sempre que algo parecia demasiado no lugar, ela logo trazia novos significados, ritmos e cores.
Eram porta-retratos que se tornavam espelhos, roupas que ganhavam recortes, paredes que recebiam novas cores e até mesmo na seriedade um pedaço de papel tornava-se um novo lugar para estar.
Até chegar aonde está sempre soube que não queria parar, mas aos poucos tem percebido que quanto mais se vive, sem ao menos perceber é simples esquecer aonde quer chegar. E para continuar sem medo de parar, ela precisará resgatar os pedaços deixados no caminho, as lembranças dos livres sorrisos e a vibração boa de sentir -se viva apenas por recomeçar…

Guarde este amor…

22 mar

A caixa de sedex entregue em sua casa não tinha rementente. Coisa estranha, até para ele que sempre tão engraçado confiava desconfiado.
Pegou o pacote e foi para o quarto, colocou em cima da cama e não teve coragem de abrir.
Decidiu ligar o rádio e tomar um banho demorado, riu sozinho lembrando de inimigos e amantes enquanto imaginava o que poderia ter nela.
Lembrou do Rafaelito o antigo vizinho, que ele uma vez saiu com a namorada e que lhe rendeu uma prótese no dente. Mas o Rafaelito?
Pensou na maluca da Raquel que depois de um final de semana muito maluco ficou meses em seu pé , mas o que ela mandaria por sedex?
Pensou em bancos, empresas diversas, mas nada lhe vinha à cabeça.
Sentou de cueca sobre a cama, balançou a caixa perto do ouvido e não vou ouviu. Aproximou do nariz e também não sentiu nada.
Sem nenhuma conclusão, irritou-se com sua mania de pensar sempre nas coisas mais improváveis.
Pegou uma tesoura, rompeu o lacre, abriu a caixa e no primeiro olhar viu um envelope bonito, ao abri-lo:

Ela e Ele??? Convidam para a cerimônia????

Sem compreender, percebeu que ainda restava um pacote de cartas envoltas em um lacre com uma frase:

Guarde este amor, ele é todo seu.

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Déh De Mari -22/03/2010

Livre como um Deus – nando Reis:

Beijos aos queridos.

Amor é moradia…

12 mar

Hoje eu não vou brigar com você por causa de nenhuma banalidade que me incomoda o caminho.
Eu admito que esperei a música tocar para cantar no seu ouvido aquelas coisas que não tenho coragem de dizer.
Quase nunca sou exata, me equilibro entre a menina que sou e a mulher que você deseja que eu seja.
Ontem eu te perguntei: Como você me escolheu?
Sem pestanejar, você disse que sempre soube, que essas coisas nós simplesmente sentimos.
Sempre fico sem palavras quando te escuto falar assim, porque em mim, nosso amor está sendo construído como uma casa.
Quando você chegou aqui, eu era apenas um terreno daqueles vazios com ervas daninhas para serem arrancadas e um projeto nas mãos de como seria o meu cantinho colorido.
Você arrancou todas as ervas, plantou sementes no jardim e juntos começamos a levantar pequenas paredes, colocamos as janelas e trancamos a porta.
E nem sempre é fácil, nós somos tão diferentes, não é mesmo?
Mas desde o começo foi assim, você sabia que era eu de cara e eu ressabiada decidi ser feliz ao invés de ter razão.
E hoje quando eu falo a mesma coisa mil vezes e você ao invéns de tentar argumentar me acalma com um demorado abraço, eu tenho a certeza de que o nosso Amor é Moradia.

Beijos aos queridos, obrigada pelo carinho sempre e desculpem a ausência.

A arte do encontro

4 mar

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A vida reservou para eles um novo encontro desencontrado, o transito que ganhou do relógio, avião com a hora marcada para partir e a distância de um oceano. 

Viveram meses a espera da chegada com a certeza da partida, ela disfarçava o olhar que mirava o calendário. Ele de volta escolheu a improbabilidade da distância, juntos fingiram esquecer a espera.  

A sintonia leve separada pelo oceano, próxima era jogo de cartas abertas entrega e fuga. Confusão daqueles que tentam evitar o inevitável: deixar o futuro pertencer ao tempo.

Ela não entendia, acreditava que cabia a eles embriagarem-se em beijos, passarem noites sem dormir. Tinha o brilho de volta aos olhos, o sorriso bobo da lembrança no rosto e a esperança do infinito em possibilidades.
Ele explicou a escolha sensata,  a distância que separava os corpos era a melhor saída para certeza da partida e evitaria a tristeza do fim.    

Seus sonhos, eram sonhos que só existiriam em liberdade do outro lado de seus mundos distantes.
Ela sabia que ele chegaria aonde quisesse, mas acreditava que sonhos não sobrevivem sós quando compartilhados com outros sonhos são realidade*. 

Coração cansado segurou a batida, resignada tentou compreender que juntos seriam solidão acompanhada e guardou os suspiros de novos dias.

Vida planejada, ele desencontrava o encontro driblando o inesperado, mas era ato falho verdade que os olhos escondiam. Ela na caótica cidade de tons de cinza  buscava alcançar o inesperado e cada vez que desistia sabia que mentia para si mesma.

Jogando com a impresivibilidade e todas as cartas na mesa era chegada a nova partida.  Despediram-se vivendo em uma noite a falta dos outros dias.  

Corpos envolvidos em vontade, desejo, receio,troca e saudade, certeza de meses de ausência, ventania de sentimentos brinquedo do tempo, conhecidos de longa data conhecendo-se pela primeira vez.

 
Lenine- Todos os caminhos          

PS.: Beijos aos queridos.  Citando o lindo Vínicius de Moraes: “A vida é a arte do encontroembora haja tanto desencontro na vida….”.   *E finalizando com o poeta Raul: “Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade.”

Mulheres que assustam os homens

27 maio

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Ela jogou as toalhas, decidiu que o amor não era para os inquietos e inconformados.
Se ela falasse sobre o desejo, a longa espera por aquele beijo talvez dissesse que o amor de seu peito só transbordava em lágrimas vivendo o que já passou.
Quando o último foi embora ela deixou de acreditar em encontros e decidiu viver de despedidas.
Gostava de olhares trocados, dos elogios que a faziam se sentir mais bonita, de beijos no escuro, mas nunca chegava à cama.
Era a conta exata dos precavidos, sem coração disparado, pernas bambas ou grandes histórias para contar.
Nesses dias em que poucos ainda sorriem e olham nos olhos, decidiu gostar de quem gostasse dela.
Seria encontro de algum velho conhecido, vida calma sem expectativas, o plano original sem a parte romântica: encontrar um Grande Amor e Ser Feliz Para Sempre.
Não conhecia mais novos lugares, circulava sempre pelas mesmas ruas e bares com ares de quem nada pode esperar.
Era beleza sem graça, rosto de prateleira, a roupa parecida com a de tantas outras que decidiram o que vestir depois de comprar aquela revista.
Descabida, criou uma surrada cartilha do que fazer e o que não. Se dois rapazes a conhecessem no mesmo dia, perceberiam a repetição de seus trejeitos de atriz equilibrista do mundo de desencontros.
Personagem principal das histórias mal contadas para todos que se aproximavam do brilho dos seus olhos.

Continua….

Lenine: Hoje eu quero sair só

Foto incrível Flickr Iaton http://www.flickr.com/photos/ianton/2929577110

Caio Fernando de Abreu fala por mim…

16 mar

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Tenho trabalhado tanto, mas sempre penso em vc. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assenta e com mais força quando a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos…
Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você. Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?
Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.
Mas se você tivesse ficado, teria sido diferente?
Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente?
Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.

Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina.

Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo.
Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis.
. . . E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura.

Ouvindo: Ray LaMontagne – Write You A Letter

Beijos ao queridos…E agradecimento e licença poética ao Caio Fernando de Abreu que traduziu o sentimento em palavras…