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Conversas francas…..

10 fev

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Ontem conversamos sobre a falta que faz o toque, o beijo e os olhos.

É tão estranho pedir atenção para quem parece estar tão perto .

A rotina corre os dias e os dias que escorrem as vezes levam a atenção que devíamos ter.

Perdemos os momentos vivendo o que acontece nas telas dos celulares, na televisão, na conversa com o vizinho, na bobagem do trabalho e nos esquecemos…

De fazer presença e estar presente na mesa do jantar, ao lado na cama, no beijos  e nos pequenos instantes

Apesar da dolorida franqueza sinto que saímos mais inteiros daquela conversa.

Mais dispostos a ficar…a pertencer, permanecer… a se olhar…

O segredo dos teus olhos…

4 mar

“El secreto de sus ojos”, é um filme argentino, de 2009, do diretor Juan José Campanella , e eu apesar de todas as incríveis recomendações que recebi vergonhosamente ainda não tinha assistido.

Estrelado pelo excelente ator Ricardo Darin, “El secreto de sus ojos”, conta a história de um funcionário público aposentado que resolve escrever um livro sobre o caso que mais o marcou em sua carreira, no Tribunal Penal de Buenos Aires. Em 1974, Benjamim Sposito(Darín) foi convocado a investigar um estupro seguido de assassinato de uma jovem moça casada. Com esta trama o filme se desdobra no tempo, fazendo do autor da história muitas vezes personagem e apresentando em conta gotas uma trama intrigante com personagens densos.

Assistir o filme vale pela ótima história, pelos atores excelentes, pela força da narrativa. O segredo de seus olhos poderia ser um filme policial, mas não é. É um filme humano e realista e foi isso que me fez trazê-lo aqui. Após assisti-lo refleti durante algum tempo sobre os segredos que todos nós trazemos em nossos olhos, as nossas paixões.

Podemos mudar de cidade, mudar o corte dos cabelos, o estilo, mas nunca mudaremos as paixões que guardamos em segredo. Elas nos dizem quem somos sem querermos fazê-lo. Vocês já pensaram sobre isso? Quais são as paixões que você guarda e que a definem sem que você queira quem você é?

Para aqueles que passam por aqui e ainda não assistiram recomendo que o vejam. Aqueles que já assistiram comentem! um bjo

Sobre recomeçar…

26 jan

Ela nunca teve medo de mudar, sempre que algo parecia demasiado no lugar, ela logo trazia novos significados, ritmos e cores.
Eram porta-retratos que se tornavam espelhos, roupas que ganhavam recortes, paredes que recebiam novas cores e até mesmo na seriedade um pedaço de papel tornava-se um novo lugar para estar.
Até chegar aonde está sempre soube que não queria parar, mas aos poucos tem percebido que quanto mais se vive, sem ao menos perceber é simples esquecer aonde quer chegar. E para continuar sem medo de parar, ela precisará resgatar os pedaços deixados no caminho, as lembranças dos livres sorrisos e a vibração boa de sentir -se viva apenas por recomeçar…

Amor é moradia…

12 mar

Hoje eu não vou brigar com você por causa de nenhuma banalidade que me incomoda o caminho.
Eu admito que esperei a música tocar para cantar no seu ouvido aquelas coisas que não tenho coragem de dizer.
Quase nunca sou exata, me equilibro entre a menina que sou e a mulher que você deseja que eu seja.
Ontem eu te perguntei: Como você me escolheu?
Sem pestanejar, você disse que sempre soube, que essas coisas nós simplesmente sentimos.
Sempre fico sem palavras quando te escuto falar assim, porque em mim, nosso amor está sendo construído como uma casa.
Quando você chegou aqui, eu era apenas um terreno daqueles vazios com ervas daninhas para serem arrancadas e um projeto nas mãos de como seria o meu cantinho colorido.
Você arrancou todas as ervas, plantou sementes no jardim e juntos começamos a levantar pequenas paredes, colocamos as janelas e trancamos a porta.
E nem sempre é fácil, nós somos tão diferentes, não é mesmo?
Mas desde o começo foi assim, você sabia que era eu de cara e eu ressabiada decidi ser feliz ao invés de ter razão.
E hoje quando eu falo a mesma coisa mil vezes e você ao invéns de tentar argumentar me acalma com um demorado abraço, eu tenho a certeza de que o nosso Amor é Moradia.

Beijos aos queridos, obrigada pelo carinho sempre e desculpem a ausência.

A arte do encontro

4 mar

essaok

A vida reservou para eles um novo encontro desencontrado, o transito que ganhou do relógio, avião com a hora marcada para partir e a distância de um oceano. 

Viveram meses a espera da chegada com a certeza da partida, ela disfarçava o olhar que mirava o calendário. Ele de volta escolheu a improbabilidade da distância, juntos fingiram esquecer a espera.  

A sintonia leve separada pelo oceano, próxima era jogo de cartas abertas entrega e fuga. Confusão daqueles que tentam evitar o inevitável: deixar o futuro pertencer ao tempo.

Ela não entendia, acreditava que cabia a eles embriagarem-se em beijos, passarem noites sem dormir. Tinha o brilho de volta aos olhos, o sorriso bobo da lembrança no rosto e a esperança do infinito em possibilidades.
Ele explicou a escolha sensata,  a distância que separava os corpos era a melhor saída para certeza da partida e evitaria a tristeza do fim.    

Seus sonhos, eram sonhos que só existiriam em liberdade do outro lado de seus mundos distantes.
Ela sabia que ele chegaria aonde quisesse, mas acreditava que sonhos não sobrevivem sós quando compartilhados com outros sonhos são realidade*. 

Coração cansado segurou a batida, resignada tentou compreender que juntos seriam solidão acompanhada e guardou os suspiros de novos dias.

Vida planejada, ele desencontrava o encontro driblando o inesperado, mas era ato falho verdade que os olhos escondiam. Ela na caótica cidade de tons de cinza  buscava alcançar o inesperado e cada vez que desistia sabia que mentia para si mesma.

Jogando com a impresivibilidade e todas as cartas na mesa era chegada a nova partida.  Despediram-se vivendo em uma noite a falta dos outros dias.  

Corpos envolvidos em vontade, desejo, receio,troca e saudade, certeza de meses de ausência, ventania de sentimentos brinquedo do tempo, conhecidos de longa data conhecendo-se pela primeira vez.

 
Lenine- Todos os caminhos          

PS.: Beijos aos queridos.  Citando o lindo Vínicius de Moraes: “A vida é a arte do encontroembora haja tanto desencontro na vida….”.   *E finalizando com o poeta Raul: “Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade.”

Quem procura não acha. É preciso estar distraído

23 fev

E não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado. Tudo é maya / ilusão. Ou samsara / círculo vicioso. Certo, eu li demais zen-budismo, eu fiz ioga demais, eu tenho essa coisa de ficar mexendo com a magia, eu li demais Krishnamurti, sabia? E também Alian Watts, e D. T. Suzuki, e isso freqüentemente parece um pouco ridículo às pessoas. Mas, dessas coisas, acho que tirei pra meu gasto pessoal pelo menos uma certa tranqüilidade.
Você me pergunta: que que eu faço? Não faça, eu digo. Não faça nada, fazendo tudo, acordando
todo dia, passando café, arrumando a cama, dando uma volta na quadra, ouvindo um som, alimentando a Pobre. Você tá ansioso e isso é muito pouco religioso. (…)
Vou te falar um lugar-comum desprezível, agora, lávai: você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off. Você quer escrever. Certo, mas você quer escrever? Ou todo mundo te cobra e você acha que tem
que escrever? Sei que não é simplório assim, e tem mil coisas outras envolvidas nisso. Mas de repente você pode estar confuso porque fica todo mundo te cobrando, como é que é, e a sua obra?
Cadê o romance, quedê a novela, quedê a peça teatral? DANEM-SE, demônios. Você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco.
Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, “apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo”. Isso é escrever. Tira sangue com
as unhas. E não importa a forma, não importa a “função social”, nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te.
Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida. (…)

Carta de Caio ao amigo Zezim, que nesta noite vazia foi escrita para mim

E os pés que irão por esse caminho

8 fev


Em um mundo de gente grande ela era criança que sonhava o inimaginável e sorria para outras crianças que passavam pela rua.
Era beleza estranha, daqueles que trazem a inquietude nas entranhas.
Todos que a conheciam sabiam que ela, mesmo antes de aprender a andar, já havia descoberto que pés eram feitos para levar sempre a um novo lugar.
Naquele dia ela não disse adeus, preferiu um novo corte cabelo. Não gostava de despedidas, mas aos poucos aprendeu que a mais dolorosa e libertadora delas era ser uma nova pessoa a cada dia.
Há algum tempo, aquela que aparecia no espelho não trazia em nada semelhanças de quem ela deveria ser daquele momento em diante.
Das muitas incertezas que viriam pela frenta, ela carregava apenas uma verdade:
Junto a ele, seus olhos brilhariam sempre e de mãos dadas por este mundo completamente novo nunca perderiam o amor que transbordava em seus corações.


No Recreio – Nando Reis – versão Cassia Eller

Beijos aos queridos!