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Conversas francas…..

10 fev

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Ontem conversamos sobre a falta que faz o toque, o beijo e os olhos.

É tão estranho pedir atenção para quem parece estar tão perto .

A rotina corre os dias e os dias que escorrem as vezes levam a atenção que devíamos ter.

Perdemos os momentos vivendo o que acontece nas telas dos celulares, na televisão, na conversa com o vizinho, na bobagem do trabalho e nos esquecemos…

De fazer presença e estar presente na mesa do jantar, ao lado na cama, no beijos  e nos pequenos instantes

Apesar da dolorida franqueza sinto que saímos mais inteiros daquela conversa.

Mais dispostos a ficar…a pertencer, permanecer… a se olhar…

Sobre recomeçar…

26 jan

Ela nunca teve medo de mudar, sempre que algo parecia demasiado no lugar, ela logo trazia novos significados, ritmos e cores.
Eram porta-retratos que se tornavam espelhos, roupas que ganhavam recortes, paredes que recebiam novas cores e até mesmo na seriedade um pedaço de papel tornava-se um novo lugar para estar.
Até chegar aonde está sempre soube que não queria parar, mas aos poucos tem percebido que quanto mais se vive, sem ao menos perceber é simples esquecer aonde quer chegar. E para continuar sem medo de parar, ela precisará resgatar os pedaços deixados no caminho, as lembranças dos livres sorrisos e a vibração boa de sentir -se viva apenas por recomeçar…

Quem procura não acha. É preciso estar distraído

23 fev

E não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado. Tudo é maya / ilusão. Ou samsara / círculo vicioso. Certo, eu li demais zen-budismo, eu fiz ioga demais, eu tenho essa coisa de ficar mexendo com a magia, eu li demais Krishnamurti, sabia? E também Alian Watts, e D. T. Suzuki, e isso freqüentemente parece um pouco ridículo às pessoas. Mas, dessas coisas, acho que tirei pra meu gasto pessoal pelo menos uma certa tranqüilidade.
Você me pergunta: que que eu faço? Não faça, eu digo. Não faça nada, fazendo tudo, acordando
todo dia, passando café, arrumando a cama, dando uma volta na quadra, ouvindo um som, alimentando a Pobre. Você tá ansioso e isso é muito pouco religioso. (…)
Vou te falar um lugar-comum desprezível, agora, lávai: você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off. Você quer escrever. Certo, mas você quer escrever? Ou todo mundo te cobra e você acha que tem
que escrever? Sei que não é simplório assim, e tem mil coisas outras envolvidas nisso. Mas de repente você pode estar confuso porque fica todo mundo te cobrando, como é que é, e a sua obra?
Cadê o romance, quedê a novela, quedê a peça teatral? DANEM-SE, demônios. Você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco.
Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, “apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo”. Isso é escrever. Tira sangue com
as unhas. E não importa a forma, não importa a “função social”, nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te.
Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida. (…)

Carta de Caio ao amigo Zezim, que nesta noite vazia foi escrita para mim

Up: Altas aventuras é uma história de amor

8 set

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Quem assiste ao trailer de UP provavelmente irá ao cinema esperando menos do filme do que ele realmente traz. Pelo menos, foi assim que me senti, após assistir seus 15 primeiros minutos belíssimos.

O filme conta a história de Carl Fredricksen que quando menino vai ao cinema ver notícias sobre seu explorador preferido, Charles Muntz. O relato retratava o insucesso  do explorador  que após não conseguir provar a existência de um pássaro raro caiu em descrédito em toda a sua comunidade.

Apesar disso, o menino Carl continua a sonhar com seu balão e em um dia de aventuras conhece uma menina, Ellie, que assim como ele, sonha em viver muitas aventuras voando até um paraíso distante relatado por Muntz.

Os anos se passam e o filme sem diálogos, em poucos minutos, com uma trilha sonora linda, retrata a história de amor de Carl e Ellie: a sintonia, o casamento, as dificuldades financeiras que os impossibilitavam de realizar seus sonhos e principalmente o implacável tempo que simplesmente se esvai.

Com a morte de Ellie, desmotivado, solitário e rabugento, Carl se vê obrigado a mudar-se para um asilo após ter problemas com uma construtora que deseja demolir sua casa.

Neste momento, ele inicia uma grande aventura para realizar seu sonho com Ellie, prende milhares de balões coloridos à chaminé de sua lareira e levanta vôo.

No meio do percurso descobre que tem companhia, o pequeno Russel, um garotinho que precisa ajudar um idoso para ganhar um distintivo de Explorador da Vida Selvagem.

A partir daí essa dupla segue em sua aventura a caminho da América do Sul onde encontrarão muitas surpresas. Sinceramente, achei que nesta parte o filme perde-se um pouco tentando resgatar o apelo ao público infantil e a sistemática Disney de vilão e mocinho. De qualquer forma, vale muita a pena assisti-lo!

Assisti UP no dia em que saí de férias e a animação realmente me emocionou. O filme que tem um colorido e desenhos lindos traz pouca história para crianças e muita reflexão para os adultos.  Fala sobre os sonhos que deixamos para amanhã, a força que mora dentro de cada um de nós e principalmente sobre as chances que temos todos os dias de ter um novo recomeço.

Trailer oficial do filme

O site bacaninha do filme http://www.disney.com.br/cinema/up/

Beijos aos queridos, assistam e me contem.

PS: Obrigada Lindo, por agüentar a chorona aqui no cinema. 😉

Ficha técnica
# título original:Up
# gênero:Animação
# duração:01 hs 36 min
# ano de lançamento:2009
# site oficial:http://www.disney.com.br/cinema/up/
# estúdio:Walt Disney Pictures / Pixar Animation Studios
# distribuidora:Walt Disney Studios Motion Pictures / Buena Vista International
# direção: Pete Docter
# roteiro:Pete Docter, Bob Peterson e Thomas McCarthy
# produção:Jonas Rivera
# música:Michael Giacchino
# fotografia:
# direção de arte:Ralph Eggleston

Das pequenas grandes coisas…

5 set

vó

Nos dias de chuva em que a luz acabava ou ela mesma apagava, lá íamos nós para a cama escutar histórias.

Para ela, a chuva não gostava de conversa. Televisões e janelas chamavam trovões e decidir tomar banho nem pensar, era preciso ficar quieto.

Seu quarto tinha móveis fortes de madeira escura, na penteadeira perfumes e santinhos lindos em miniatura, o guarda-roupa era o lugar perfeito para encontrar as roupas dos meus personagens das peças semanais que eu apresentava no prédio.

Na parede, a padroeira Santa Rita fazia vigília a nossa bagunça e as suas histórias do Bicho Papão e Boi da Cara Preta era interrompidas pelo relampear, e quando medo chegava lá estava ela com o sorriso e os braços abertos para que dormíssemos.

Em tardes como essa, ainda espero que ela apareça e me chame para tomar chá para esquentar, comer bolacha e bolo com cobertura de limão.

Quando penso em férias, lembro das expedições malucas que fazíamos em seu quintal gigante, no meio das bananeiras, do galinheiro, desafiando os formigueiros.

Ela sempre atenta nos alertava, mas deixava, ela sabia que era coisa de criança. Naquele quintal decidi que ia ser veterinária, descobri as lesmas casca de banana, levei o colégio inteiro para conhecê-las e quase fui expulsa quando resolvi que a professora de ciências deveria vê-las de perto.

Um dia participei do parto da Pakita, uma das cadelinhas, quase fui mordida, sai toda suja e depois de levar uma bronca danada e passar mal literalmente, ela disse que não contaria a minha mãe se eu não fizesse de novo.

Ela era batalhadora, paciência, compreensão risada tímida, seriedade, fé sem tamanho, inocência, muitas histórias, cabelo que não podia bagunçar, porre de biotônico, bolinho de chuva, força para defender seus pequenos, fumar escondido, macarrão com frango no domingo, correr atrás do homem do sonho, ver Roberto Carlos escondido, subir a ladeira para comprar sorvete, corpo de violão, a mulher do açogueiro, a avó da menina loirinha, banho de mangueira, piscina de 1.000 litros para o verão dos netos, ensinar a lição de casa, abraço, telefonema no final do dia e todo o amor que houve nessa vida.

Só um livro contaria todas as nossas histórias, não é mesmo?

Todas as vezes que as pessoas brincam com a minha personalidade forte, meus momentos de timidez, minha indignação com injustiças e o jeito maluco que tenho para resolver as coisas sempre conto sobre você.

Como eu não posso abraçá-la, mas tenho certeza de que a senhora sempre olha por mim, está é a minha singela homenagem. Vó Feliz Aniversário! Eu amo você! Você sempre será a força que vive em mim e me faz sempre acreditar!

Pato Fu: Canção pra você viver mais

Beijos aos queridos!

Mulheres que assustam os homens

27 maio

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Ela jogou as toalhas, decidiu que o amor não era para os inquietos e inconformados.
Se ela falasse sobre o desejo, a longa espera por aquele beijo talvez dissesse que o amor de seu peito só transbordava em lágrimas vivendo o que já passou.
Quando o último foi embora ela deixou de acreditar em encontros e decidiu viver de despedidas.
Gostava de olhares trocados, dos elogios que a faziam se sentir mais bonita, de beijos no escuro, mas nunca chegava à cama.
Era a conta exata dos precavidos, sem coração disparado, pernas bambas ou grandes histórias para contar.
Nesses dias em que poucos ainda sorriem e olham nos olhos, decidiu gostar de quem gostasse dela.
Seria encontro de algum velho conhecido, vida calma sem expectativas, o plano original sem a parte romântica: encontrar um Grande Amor e Ser Feliz Para Sempre.
Não conhecia mais novos lugares, circulava sempre pelas mesmas ruas e bares com ares de quem nada pode esperar.
Era beleza sem graça, rosto de prateleira, a roupa parecida com a de tantas outras que decidiram o que vestir depois de comprar aquela revista.
Descabida, criou uma surrada cartilha do que fazer e o que não. Se dois rapazes a conhecessem no mesmo dia, perceberiam a repetição de seus trejeitos de atriz equilibrista do mundo de desencontros.
Personagem principal das histórias mal contadas para todos que se aproximavam do brilho dos seus olhos.

Continua….

Lenine: Hoje eu quero sair só

Foto incrível Flickr Iaton http://www.flickr.com/photos/ianton/2929577110

Todos eles em um só ser…

14 nov

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Era Roberto, suas pernas longas pesadas, cabelos macios, o seu homem das segundas-feiras. Longos beijos e mãos que brincavam pelo corpo no primeiro dia da semana na saída do trabalho.
Roberto garantia o sorriso, a piada fácil. Depois do horário combinado era sempre celular desligado, desculpa esfarrapada.
De tanto Roberto contar histórias, Joana se convenceu de que não ia mais ouvi-las, apenas o queria nas segundas-feiras, nos sorrisos maliciosos e olhares trocados no escritório.

 Cabelo castanho claro todo alinhado, roupas de grife, Rafael o eterno atual ex-namorado. Gostava da família, simpático com as crianças e animais, levava aos restaurantes, era cama morna de vez quando, nome do filho escolhido.  
Era terça, quarta-feira, sábados na madrugada solitária em que ninguém atendia Joana, às vezes domingo, era rotina.

Tatuagem no braço, alargador na orelha, cabelo escuro e pele branca, DJ, era Ricardo. Joana insegura, qualquer dia da semana. Conversa pensada até a mordida nos lábios, o GOSTOSA no ouvido, o puxão no cabelo, as roupas no banco de trás e vidros embassados na rua. Ricardo era não saber de amanhã, não ligar nunca, hoje como se fosse o último dia.

Gustavo franzino, artista, pintor, era cor de uma palheta fria que combina com dia de outono. Mas era bom gosto, companhia agradável, muitas semelhanças, longas conversas ao telefone todos os dias, risada inteligente e nenhum beijo. Gustavo, era sábado no circuito alternativo de cinema, quinta no bistrot, sexta no boteco. Joana às vezes achava que Gustavo era gay e não sabia, ele há muito tempo insistia.

Cabelos cor de sol, olhos de mar, incenso, era Pedro. Pulo de pára-quedas, trilha na mata, aventura, skate, prancha no carro, pé na areia, liberdade.  Noite juntos e acordar abraçados,  quinta e sexta, em tempo nublado sábado e domingo quando ele ligava. Pedro e Joana o compromisso descompromissado, telefone que atende quando quer, escolha predileta, coração disparado, e a distância até onde vai a saudade para não machucar.

Joana era gostar do Roberto, Rafael, Ricardo, Gustavo e Pedro. Para ela, tão diferentes, únicos e complementares. Joana era não ter nenhum deles ou ter todos e precisar de todos em um, nenhum. Nenhum sonho. Joana para eles a apaixonada, para as outras máscara, invejada, solteira, libertária daquelas que não casam.

Joana, ela mesma,  era solidão acompanhada.

 

Mulher sem Razão – Adriana Calcanhoto

PS.:  Queridos desculpem a ausência, em breve terei um monte de novidades aqui e prometo estar mais presente! Este post é uma obra de ficção!  bjos