A arte do encontro

4 mar

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A vida reservou para eles um novo encontro desencontrado, o transito que ganhou do relógio, avião com a hora marcada para partir e a distância de um oceano. 

Viveram meses a espera da chegada com a certeza da partida, ela disfarçava o olhar que mirava o calendário. Ele de volta escolheu a improbabilidade da distância, juntos fingiram esquecer a espera.  

A sintonia leve separada pelo oceano, próxima era jogo de cartas abertas entrega e fuga. Confusão daqueles que tentam evitar o inevitável: deixar o futuro pertencer ao tempo.

Ela não entendia, acreditava que cabia a eles embriagarem-se em beijos, passarem noites sem dormir. Tinha o brilho de volta aos olhos, o sorriso bobo da lembrança no rosto e a esperança do infinito em possibilidades.
Ele explicou a escolha sensata,  a distância que separava os corpos era a melhor saída para certeza da partida e evitaria a tristeza do fim.    

Seus sonhos, eram sonhos que só existiriam em liberdade do outro lado de seus mundos distantes.
Ela sabia que ele chegaria aonde quisesse, mas acreditava que sonhos não sobrevivem sós quando compartilhados com outros sonhos são realidade*. 

Coração cansado segurou a batida, resignada tentou compreender que juntos seriam solidão acompanhada e guardou os suspiros de novos dias.

Vida planejada, ele desencontrava o encontro driblando o inesperado, mas era ato falho verdade que os olhos escondiam. Ela na caótica cidade de tons de cinza  buscava alcançar o inesperado e cada vez que desistia sabia que mentia para si mesma.

Jogando com a impresivibilidade e todas as cartas na mesa era chegada a nova partida.  Despediram-se vivendo em uma noite a falta dos outros dias.  

Corpos envolvidos em vontade, desejo, receio,troca e saudade, certeza de meses de ausência, ventania de sentimentos brinquedo do tempo, conhecidos de longa data conhecendo-se pela primeira vez.

 
Lenine- Todos os caminhos          

PS.: Beijos aos queridos.  Citando o lindo Vínicius de Moraes: “A vida é a arte do encontroembora haja tanto desencontro na vida….”.   *E finalizando com o poeta Raul: “Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade.”

Quem procura não acha. É preciso estar distraído

23 fev

E não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado. Tudo é maya / ilusão. Ou samsara / círculo vicioso. Certo, eu li demais zen-budismo, eu fiz ioga demais, eu tenho essa coisa de ficar mexendo com a magia, eu li demais Krishnamurti, sabia? E também Alian Watts, e D. T. Suzuki, e isso freqüentemente parece um pouco ridículo às pessoas. Mas, dessas coisas, acho que tirei pra meu gasto pessoal pelo menos uma certa tranqüilidade.
Você me pergunta: que que eu faço? Não faça, eu digo. Não faça nada, fazendo tudo, acordando
todo dia, passando café, arrumando a cama, dando uma volta na quadra, ouvindo um som, alimentando a Pobre. Você tá ansioso e isso é muito pouco religioso. (…)
Vou te falar um lugar-comum desprezível, agora, lávai: você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off. Você quer escrever. Certo, mas você quer escrever? Ou todo mundo te cobra e você acha que tem
que escrever? Sei que não é simplório assim, e tem mil coisas outras envolvidas nisso. Mas de repente você pode estar confuso porque fica todo mundo te cobrando, como é que é, e a sua obra?
Cadê o romance, quedê a novela, quedê a peça teatral? DANEM-SE, demônios. Você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco.
Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, “apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo”. Isso é escrever. Tira sangue com
as unhas. E não importa a forma, não importa a “função social”, nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te.
Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida. (…)

Carta de Caio ao amigo Zezim, que nesta noite vazia foi escrita para mim

E os pés que irão por esse caminho

8 fev


Em um mundo de gente grande ela era criança que sonhava o inimaginável e sorria para outras crianças que passavam pela rua.
Era beleza estranha, daqueles que trazem a inquietude nas entranhas.
Todos que a conheciam sabiam que ela, mesmo antes de aprender a andar, já havia descoberto que pés eram feitos para levar sempre a um novo lugar.
Naquele dia ela não disse adeus, preferiu um novo corte cabelo. Não gostava de despedidas, mas aos poucos aprendeu que a mais dolorosa e libertadora delas era ser uma nova pessoa a cada dia.
Há algum tempo, aquela que aparecia no espelho não trazia em nada semelhanças de quem ela deveria ser daquele momento em diante.
Das muitas incertezas que viriam pela frenta, ela carregava apenas uma verdade:
Junto a ele, seus olhos brilhariam sempre e de mãos dadas por este mundo completamente novo nunca perderiam o amor que transbordava em seus corações.


No Recreio – Nando Reis – versão Cassia Eller

Beijos aos queridos!

Para sempre e mais um ano…

31 dez

 

2009 começou preocupado, desprendido e com pouco horizonte. Eu sabia, era preciso mudar e no começo admito que não compreendia como mobilizar essa mudança.

No budismo, ouvi que a busca estava dentro e não fora. Quando comecei a olhar para dentro, descobri que era a única responsável por toda a bagunça, ilusão e imobilidade que marcava os meus dias.
Me afastei de tudo que não me fazia bem, tentei resolver o que machucava meu coração e foi quando ele apareceu.

Quando eu não esperava e fingia não acreditar. Diferente dos outros me mostrou que estaria ali: quando eu ligasse,  dormisse cansada, estivesse de mau humor e nos melhores momentos também. Ele com muita paciência e carinho me mostrou que eu não estava mais sozinha.

Com o coração aberto para o novo e a alma cheia de carinho, eu consegui viver mais e melhor. Fiquei mais próxima da minha família e aprendi a apreciar os pequenos momentos ao lado deles. Reencontrei amigos e descobri novas pesssoas para ter sempre no coração.

Mas algo ainda me incomodava muito, era preciso crescer, virar gente grande, ganhar o mundo, abrir as asas sem esquecer de onde vim.

Fruto de muita procura e horas de trânsito, eu finalmente consegui uma nova oportunidade de trabalho. E agora ao invés de poluição eu vejo todos os dias um horizonte lindo cheio de árvores verdinhas. Eu aprendi muito e a minha carreira deu um salto, fui morar sozinha e estou montando meu apto aos pouquinhos. Quanta coisa para um ano só, não é mesmo?Mas ainda tem muito pela frente.

Este post é apenas um agradecimento a um ano incrivelmente positivo na minha vida. Agradeço a Deus que me ensinou a ter persistência, acreditar sempre  e ouviu com carinho os meus pedidos.  E a todos vocês que me acompanharam  e  deram força em todos os momentos com muito carinho e respeito.

2009 para sempre e mais um ano… E que venha 2010 cheio de coisas novas e com muitos desafios pela frente.

Beijos aos queridos e força para acreditar sempre…E um especial para o meu amor que foi essencial para que acontecesse esse monte de coisas que estou vivendo hoje!

  

“É preciso força para perceber que a estrada vai além do que se vê” (Los Hermanos)

Up: Altas aventuras é uma história de amor

8 set

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Quem assiste ao trailer de UP provavelmente irá ao cinema esperando menos do filme do que ele realmente traz. Pelo menos, foi assim que me senti, após assistir seus 15 primeiros minutos belíssimos.

O filme conta a história de Carl Fredricksen que quando menino vai ao cinema ver notícias sobre seu explorador preferido, Charles Muntz. O relato retratava o insucesso  do explorador  que após não conseguir provar a existência de um pássaro raro caiu em descrédito em toda a sua comunidade.

Apesar disso, o menino Carl continua a sonhar com seu balão e em um dia de aventuras conhece uma menina, Ellie, que assim como ele, sonha em viver muitas aventuras voando até um paraíso distante relatado por Muntz.

Os anos se passam e o filme sem diálogos, em poucos minutos, com uma trilha sonora linda, retrata a história de amor de Carl e Ellie: a sintonia, o casamento, as dificuldades financeiras que os impossibilitavam de realizar seus sonhos e principalmente o implacável tempo que simplesmente se esvai.

Com a morte de Ellie, desmotivado, solitário e rabugento, Carl se vê obrigado a mudar-se para um asilo após ter problemas com uma construtora que deseja demolir sua casa.

Neste momento, ele inicia uma grande aventura para realizar seu sonho com Ellie, prende milhares de balões coloridos à chaminé de sua lareira e levanta vôo.

No meio do percurso descobre que tem companhia, o pequeno Russel, um garotinho que precisa ajudar um idoso para ganhar um distintivo de Explorador da Vida Selvagem.

A partir daí essa dupla segue em sua aventura a caminho da América do Sul onde encontrarão muitas surpresas. Sinceramente, achei que nesta parte o filme perde-se um pouco tentando resgatar o apelo ao público infantil e a sistemática Disney de vilão e mocinho. De qualquer forma, vale muita a pena assisti-lo!

Assisti UP no dia em que saí de férias e a animação realmente me emocionou. O filme que tem um colorido e desenhos lindos traz pouca história para crianças e muita reflexão para os adultos.  Fala sobre os sonhos que deixamos para amanhã, a força que mora dentro de cada um de nós e principalmente sobre as chances que temos todos os dias de ter um novo recomeço.

Trailer oficial do filme

O site bacaninha do filme http://www.disney.com.br/cinema/up/

Beijos aos queridos, assistam e me contem.

PS: Obrigada Lindo, por agüentar a chorona aqui no cinema. 😉

Ficha técnica
# título original:Up
# gênero:Animação
# duração:01 hs 36 min
# ano de lançamento:2009
# site oficial:http://www.disney.com.br/cinema/up/
# estúdio:Walt Disney Pictures / Pixar Animation Studios
# distribuidora:Walt Disney Studios Motion Pictures / Buena Vista International
# direção: Pete Docter
# roteiro:Pete Docter, Bob Peterson e Thomas McCarthy
# produção:Jonas Rivera
# música:Michael Giacchino
# fotografia:
# direção de arte:Ralph Eggleston

Das pequenas grandes coisas…

5 set

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Nos dias de chuva em que a luz acabava ou ela mesma apagava, lá íamos nós para a cama escutar histórias.

Para ela, a chuva não gostava de conversa. Televisões e janelas chamavam trovões e decidir tomar banho nem pensar, era preciso ficar quieto.

Seu quarto tinha móveis fortes de madeira escura, na penteadeira perfumes e santinhos lindos em miniatura, o guarda-roupa era o lugar perfeito para encontrar as roupas dos meus personagens das peças semanais que eu apresentava no prédio.

Na parede, a padroeira Santa Rita fazia vigília a nossa bagunça e as suas histórias do Bicho Papão e Boi da Cara Preta era interrompidas pelo relampear, e quando medo chegava lá estava ela com o sorriso e os braços abertos para que dormíssemos.

Em tardes como essa, ainda espero que ela apareça e me chame para tomar chá para esquentar, comer bolacha e bolo com cobertura de limão.

Quando penso em férias, lembro das expedições malucas que fazíamos em seu quintal gigante, no meio das bananeiras, do galinheiro, desafiando os formigueiros.

Ela sempre atenta nos alertava, mas deixava, ela sabia que era coisa de criança. Naquele quintal decidi que ia ser veterinária, descobri as lesmas casca de banana, levei o colégio inteiro para conhecê-las e quase fui expulsa quando resolvi que a professora de ciências deveria vê-las de perto.

Um dia participei do parto da Pakita, uma das cadelinhas, quase fui mordida, sai toda suja e depois de levar uma bronca danada e passar mal literalmente, ela disse que não contaria a minha mãe se eu não fizesse de novo.

Ela era batalhadora, paciência, compreensão risada tímida, seriedade, fé sem tamanho, inocência, muitas histórias, cabelo que não podia bagunçar, porre de biotônico, bolinho de chuva, força para defender seus pequenos, fumar escondido, macarrão com frango no domingo, correr atrás do homem do sonho, ver Roberto Carlos escondido, subir a ladeira para comprar sorvete, corpo de violão, a mulher do açogueiro, a avó da menina loirinha, banho de mangueira, piscina de 1.000 litros para o verão dos netos, ensinar a lição de casa, abraço, telefonema no final do dia e todo o amor que houve nessa vida.

Só um livro contaria todas as nossas histórias, não é mesmo?

Todas as vezes que as pessoas brincam com a minha personalidade forte, meus momentos de timidez, minha indignação com injustiças e o jeito maluco que tenho para resolver as coisas sempre conto sobre você.

Como eu não posso abraçá-la, mas tenho certeza de que a senhora sempre olha por mim, está é a minha singela homenagem. Vó Feliz Aniversário! Eu amo você! Você sempre será a força que vive em mim e me faz sempre acreditar!

Pato Fu: Canção pra você viver mais

Beijos aos queridos!

Mulheres que correm com os Lobos…

12 jul

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Há muito tempo tenho ouvido falar do livro que dá título a esse post e lido alguns trechos e resenhas dele por aí. Finalmente comprei o meu exemplar para ler com calma e resolvi bater um papo com vocês sobre o primeiro capitulo.

Mulheres que correm com os Lobos, da psicóloga Clarissa Pinkólas Ester, fala sobre a compreensão da natureza da mulher selvagem(essência da alma feminina) através da interpretação de lendas e histórias antigas e a semelhança de suas características com a de uma loba. A obra dialoga sobre os conflitos da “Mulher Moderna” e como atingir a verdadeira libertação.

A primeira lenda apresentada é a La Loba, a Mulher Lobo que fala sobre uma senhora que vive em um lugar oculto de que todos sabem, mas que poucos já viram. Como nos contos de fadas, ela parece esperar que cheguem até ali pessoas que se perderam e que estão vagando a procura de algo.

Ela tem uma aparência estranha, parece evitar pessoas e emite mais sons animais do que humanos. Segundo a lenda, o único trabalho dela é recolher ossos de todas as criaturas e conservá-los, sobretudo, o que corre o risco de se perder para o mundo, mas a sua especialidade são os lobos.

Ela se arrasta pelos vales e quando consegue reunir um esqueleto completo, faz uma fogueira e canta uma canção. Com o seu canto o lobo volta a viver com força e vitalidade, e livre a criatura corre por um desfiladeiro até tornar-se uma linda mulher.

Resumi o conto de forma simplista, mas acredito que consegui transmitir o que ele nos fará refletir e a sua mensagem serve para homens e mulheres.

Em algumas situações da vida, demonstramos uma angustia tão grande e nem sabemos ao certo o porque, sentimos a perda do referencial, de nossos valores, questionamos quem somos perante as pessoas e a vida. Como escorpiana inquieta e visceral, muitas vezes me senti com a alma cansada, sem identificação da minha real essencia e indaguei meu papel no mundo.

No livro, a longa reflexão sobre o conto de La Loba traz uma auto analise que eu hoje vejo como essencial: Onde estão os seus ossos?

Todos nos começamos como ossos perdidos no deserto e é nossa responsabilidade recuperar suas partes, esse é um processo que exige dedicação, atenção e cuidado.

La Loba indica o que devemos procurar- a indestrutivel força da vida, seu conto de ressurreição  nos mostra o que pode dar certo para a alma. Ele revela que se cantarmos a canção, poderemos conclamar nossos restos psiquicos e voltar a nossa forma vital. Cantar significa usar a voz da alma, sussurrar a verdade da necessidade de cada um, soprar alma sobre aquilo que esta doente.

Isso se realiza no mergulho mais profundo em nosso amor próprio, no resgate pelo que gostamos de fazer, no cultivo das amizades que nos fazem felizes, na nossa fé, exercicio da criatividade,  na busca pelos anseios que enxergamos com o canto dos olhos. Mas não na procura pela realização atraves do outro,  o real encontro  é solitário.

Ouvindo Priscilla Ahn – Dream

PS. Eu espero que para vocês esse conto seja também alimento para a alma, volto em breve com as minhas histórias ….Beijos aos queridos..Desculpem os problemas de acentuação, continuo brigando com meu teclado…Este texto tem trechos adaptados do livro.