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Sobre recomeçar…

26 jan

Ela nunca teve medo de mudar, sempre que algo parecia demasiado no lugar, ela logo trazia novos significados, ritmos e cores.
Eram porta-retratos que se tornavam espelhos, roupas que ganhavam recortes, paredes que recebiam novas cores e até mesmo na seriedade um pedaço de papel tornava-se um novo lugar para estar.
Até chegar aonde está sempre soube que não queria parar, mas aos poucos tem percebido que quanto mais se vive, sem ao menos perceber é simples esquecer aonde quer chegar. E para continuar sem medo de parar, ela precisará resgatar os pedaços deixados no caminho, as lembranças dos livres sorrisos e a vibração boa de sentir -se viva apenas por recomeçar…

Ela sempre teve certeza, enquanto ele nem imaginava

22 ago

 

Ele fazia perguntas que ninguém entendia, seus cabelos claros desgrenhados combinavam com a sua inquietude.
No curso de cinema era aquele que deixava todos pensativos. Gostava do plano das idéias e polemizar com as improbabilidades, adorava fechar os olhos e  trancado no quarto tocar sua guitarra.
Enquanto a maioria torcia o nariz para ele, ela achava graça. Pequenina, cabelos escuros cacheados, olhos amendoados, falava baixo e ria engraçado. Seu pai dizia que lembrava um esquilo como mostrava os dentes e o barulho estranho que emitia.
Gostava de livros de ficção cientifica, mas não contava para ninguém.
Aos poucos começaram a sentar mais perto, mas nunca se falavam. Os risos trocados no ar ficaram comuns e não ruborizavam mais as faces. Ela saia todo dia mais bonita para que ele a notasse. Ele a percebeu um dia, rindo quietinha como se viesse de outro mundo.
Quase querer, em uma quarta-feira cinzenta, ele foi para o ponto e ela correu atrás, pegaram o mesmo ônibus.
Ele sentou-se rápido e abriu um livro. Ela apressou os passos, sentou ao lado e logo puxou papo.
Conversaram sobre as muitas coisas do mundo, desceram no ponto dele. Foram direto para o quarto que ele dividia com um amigo.
As roupas ficaram no caminho, percorrido pelas risadas e os beijos descompassados.  A menina tímida era mulher entregue ao homem menino.
Quase estranhos viraram velhos conhecidos brincando de “descobrir” durante toda à tarde. Ela nunca mais esqueceu o gosto de saliva que tomou conta do seu corpo, ele ficou com o cheiro de baunilha no travesseiro, em todo lugar.

Foi assim que se conheceram…

Ouvindo: Crash Into Me- Dave Matthews Band , música  maravilhosa para todos aqueles que como eu mergulham de cabeça nos sentimentos!

PS.: Queridos! Adorei os comentários sobre o filme, fiquei super feliz em saber que ele também deixou vocês meio “chocados”! O melhor desse espaço é esse encontro voluntário  de pessoas sensíveis, queridas e inteligentes! Obrigada pelo carinho! bjos